quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Quem sabe...

     Pensando em como os caminhos decidiram se apresentar em minha vida, me deparo com um pensamento sobre uma palavrinha intrigante: mudança. Lembro que quando eu tinha por volta dos meus 5 anos de idade eu tinha certo medo dela. Era como sair daquela minha zona de conforto, a qual é conhecidamente necessária para qualquer sentimento de plena felicidade. Eis que aqui estou, décadas depois, ainda apreensiva. A mudança ainda faz meus nervos vibrarem, minhas mãos tremerem e minha voz falhar um pouco. E sabe o que eu acho mais estranho sobre tudo isso? Eu gosto dela na mesma intensidade que não o faço. A mudança me afasta de qualquer sensação de monotonia do cotidiano, o que é ótimo, mas ela também tem o poder de afastar aquilo que eu queria ter sempre por perto.
       Coloco um instrumental para tocar e tento então me apaixonar por algo talvez inexistente: a capacidade do ser humano de cuidar tão somente de seus próprios afazeres. Creio essa ser a grande mudança que ocorre em nossas vidas entre a passagem de criança birrenta para nos tornarmos o adulto modorrento. Chego então no patamar de plena concordância com Thomas Hobbes e Rosseau. Quando crianças, geralmente não nos importamos com que os outros irão dizer e mente aquele que fala sentir-se assim também na adolescência. A sociedade pode ser cruel, é um paraíso do qual ninguém está fadado a sair ileso. 
       Pergunto-me, então, neste silêncio do breu lá fora: Sentimentos são assim complicados ou é a pressão vinda de fora que os arrepiam fervorosamente?
















sábado, 5 de janeiro de 2013

Falando sobre evolução...

      Eu sei que muitos sociólogos não gostam do termo "evolução" pois estaríamos comparando um povo com outro, uma crença com outra e assim por diante. Mas quando comparamos nós mesmos há anos atrás com hoje, acho que o termo evolução teria sua chance de ser bem empregado. Nos baseamos em quê para saber se evoluímos? No nosso simples contentamento com a pessoa que nós somos, com a pessoa que nos tornamos.
      Quando eu era uma guria pequena, muitas pessoas viriam ao meu encontro e diriam: "Você deve lutar pelos seus direitos". Mas quando você tem míseros quatro anos de idade, você pensa: "Sobre o que essa pessoa está falando?". É então que chega a esperada idade na qual você precisa abrir as duas mãos cheias para demonstrar quão velho está. Provavelmente você já estará no ensino fundamental e é aí que você descobre o que todos aqueles cidadãos aleatórios vêm lhe falando ao passar dos anos.
        Realmente é verdade que geralmente você possui um adulto por perto para resolver os seus problemas maiores, caso algum fato injusto ocorra, é só você contar que eles estarão lá dispostos a te defender. Mas é certo dizer que eles resolveram tal obstáculo do modo como você gostaria que tivesse sido resolvido? Quando você se faz essa pergunta é porque chegou a hora de você tentar resolver seus próprios problemas. Peça conselhos, talvez um pouco de ajuda. No início será sim difícil e alguns erros você cometerá, é normal. Mas uma das melhores sensações do mundo é quando você vê algo dando certo e sabe que foi você, apenas você, que fez acontecer.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A procura...

E se de repente do nada brotar 
Uma vontade de estar de boa com a felicidade
Num rastro de nostalgia
Mais latente que a própria estripulia da criança consciente

Feliz dele que traz na memória
Lágrima aquela que brilhara ilusória
No canto dos lábios de um amigo perene
Numa época em que sentimento não se teme
Num tempo em que a chuva fria acalmava os ânimos
E a brisa soprava fraca nas águas do pensamento

Viva procurando um dia assim como esse
Embora carente de assiduidade
Ainda possui suas formalidades
Que traz além da alegria de ser
A simples diferença na escolha de viver 











domingo, 9 de dezembro de 2012

Fica um pouco mais claro...

   Por algum motivo qualquer você se põe a pensar durante uma noite finda de um domingo ensolarado. Já é segunda-feira e cá estou eu num quarto escuro. Lamento por lembrar que a vida não é tudo aquilo que pensei na infância. Lamento por pensar que o tempo pode machucar o mais forte dos corações e também por saber da distância. Lamento por saber que já magoei pessoas tão importantes e por ter a certeza de que tornarei a machucá-las. Lamento por pensar que já deixei muitas portas se fecharem num passado quase definhado.
    Sorrio por saber que cada ano na vida tem seus altos e baixos. Analisando de um modo geral, foi tudo por uma causa maior e, se não acontecesse, o ano não teria sido tão interessante, embora pudesse ter sido menos conflituoso. Sorrio por saber que haverá pessoas para lutar por mim quando eu precisar e sorrio por conseguir dizer que eu lutaria por algumas também, assim como um dia fiz. Sorrio por ainda acreditar num futuro já incerto feito de escolhas que não dependem só de mim. Sorrio por pensar na criança que fui, que mesmo não sabendo como agir às vezes, ainda assim tentava. Sorrio por lembrar que aquela criança se tornou uma adolescente  um tanto romântica e um pouco repleta de sonhos.
    Pensei um dia que tudo que eu tinha era uma pedra. Minha imaginação transformou aquela pedra numa semente. Hoje, aquela semente ainda possui galhos frágeis, algumas folhas já perenes, outras quase deixando seu bulbo. Percebo contente que aquela semente possui mais raízes que orvalho, mas é estranho ver que seu tronco está um pouco frisado. Alguns de seus galhos já foram podados e outros, de secos, acabaram sendo levados pelo vento. Poucos continuam insistentemente ali, intactos com o passar dos anos.  
   Compreendi que, igualmente à nossa vida, essa semente possui um fator preponderante para continuar crescendo: é ter a certeza de que um dia, ah, sim, um dia, ela encontrará uma árvore exatamente no formato que ela sempre sonhou em ser. E, como numa sintonia fina, continuará sendo, daquele dia em diante.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Um dia que talvez não tivesse nada para se tornar memorável...

       Estranho pensar que nem sempre temos um motivo para levantar da cama, então você lembra daquele pequeno detalhe ocorrido no dia anterior que o fez interessante. Revira-se nas cobertas e decide logo se vestir para enfrentar o dia, antes que o pessimismo te permita que fique em seu quarto.
       Incrível o número de oportunidades presente em apenas vinte e quatro horas de nossas vidas. Pensemos que a percepção desse tempo depende do que cada um decide fazer com ele. Esperar, angustiar, sofrer, deixar para lá, desistir, brilhar. Enfim, uma imensidão de escolhas. Hoje tinha tudo para ser um dia normal, só que para nós, alunos, ele acabou se sobressaindo. Sabíamos que um evento haveria no estádio General Cipriano, mas não sabíamos como ele se daria.
       Ajeitamos os dispositivos. Lá estavam os três pelotões como guarda de honra, os postos de flâmulas e aqueles alunos destinados a ajudarem na entrega das medalhas aos militares. Rostos enfrentando o sol, o braço tremendo ao segurar a flâmula do vento. Assim ficamos por horas a fio, sem perceber que o tempo passava. Dava-se os toques de corneta e, evidentemente, nos mexíamos com certo alívio. Presenciamos entregas de condecorações, diversos discursos, comemoração dos 175 anos da Brigada Militar e uma formatura de Curso Básico de Administração da Polícia Militar. Posso dizer que estar lá foi motivo de se sentir honrado, afinal, tínhamos um lugar privilegiado para assistir a tudo que ali ocorria. A banda da Brigada estava perfeita e os alunos do Tiradentes impecáveis. Depois de um ano longe de suas famílias, muitas vezes interioranas, os novos tenentes recebiam suas merecidas estrelas nas divisas e bem lustradas espadas.
        Ao fim de três horas e meia, deu-se início ao desfile. Logo ao marcar passo, percebemos nossos joelhos relutarem a dobrar e as flâmulas de ficarem em nossos ombros enquanto o vento soprava. Foi quando a chuva passou a se salientar. Retornamos a caserna ainda com muito garbo e mesmo um tanto doloridos, estávamos certa forma felizes pela oportunidade. De tantos alunos e jovens que poderiam estar ali, éramos nós. 
       Por muitas vezes pensamos em largar tudo. Vemos tantas injustiças na vida que acreditamos não ter mais esperanças. Entretanto é por momentos como esse de hoje que continuamos buscando nosso ideal, que continuamos a nos emocionar, que aprendemos a superar. Pensem vocês agora, o que seria do mundo se qualquer empecilho impedisse qualquer um de seguir seu rumo. Pode ser que hoje não vejamos isso, mas daqui há um tempo, olharemos as fotos e saberemos que ali era exatamente o lugar em que deveríamos estar. E é disso que sentiremos orgulho.

 

domingo, 28 de outubro de 2012

Sua partida seria um recomeço...

       O vento entra pelas venezianas de minha janela. O convido a entrar, lhe é mostrada a casa e assim o assisto ir embora novamente. Temo em dizer que foram as visitas mais rápidas que já recepcionei. Um simples beijo em minha face e lá se foi ele. Silencioso, fugaz, livre.
      Posso dizer que sinto sua falta quando as fortes chuvas o impedem de acenar para mim. Então busco sua presença ao notar as folhas das árvores, já dispostas no chão, sendo arrastadas para longe.
        O que realmente me encanta nesta gesticulação toda é que, embora o vento me envolva, ele me liberta. Embora lute contra minha ida, ele se aquieta, respeitosamente, e espera minha partida. Quando percebo, lá vem ele atrás de mim, apenas se certificando de que tudo ficará bem. E mesmo querendo eu que ele não me deixe, também deverei ceder à sua vontade de seguir adiante. Gostosa é nossa relação.
         Penso que não importa se falamos um para o outro: "Não se preocupe comigo.", óbvio que o faremos. Assim como perceberei algo errado caso ele não sopre por alguns dias, o mesmo ele fará caso minha janela fique cerrada por muito tempo.
         Vivemos uma vida de saudade, é verdade, mas nada que alguns minutos juntos não nos faça esquecer. Se estes se fazem apenas esporadicamente, é o suficiente. Simplesmente para eu saber que tudo entre a gente ainda pode ser intenso. Afinal, mesmo que não o veja, ainda sou capaz de senti-lo.




sábado, 27 de outubro de 2012

Café Literário...

       É incrível pensar que o fim do ano se aproxima. Penso em tudo que fiz e parece tão pouco, mas ao mesmo tempo sinto como se tivesse sido muito.
       Tivemos então, na manhã de hoje, uma atividade no Colégio Tiradentes. Um café literário, no qual os alunos expuseram seus trabalhos realizados no primeiro trimestre de 2012. Nós sabíamos que essa data chegaria, só que nos deparamos com ela um tanto cedo para nossas expectativas. Trabalhamos arduamente para que tudo desse certo. A professora organizadora então, Juliana Boeira, como correu nas últimas semanas atrás dos preparativos. Foi um tanto quanto emocionante estar ali vendo tudo dar tão certo depois de determinados momentos em que parecia que o mundo desabaria. 
    Seria equívoco de minha parte desconsiderar alguns agradecimentos. Obrigada, claro, aos professores organizadores que nos proporcionaram tal oportunidade de descontração meio à uma semana carente de sorrisos. Obrigada aos colegas que cooperaram com absolutamente tudo. Posso, e tenho certeza quando o faço, falar que todos, ao menos da minha turma, colaboraram. Seja levando os doces, organizando a mesa ou lendo seus poemas. Seja recebendo convidados, chegando na hora para cumprirem seus deveres ou na faxina no fim da comemoração. Agradeço aos atores e declamadores, afinal, sem eles não seria possível assistirmos tão excepcionais e emocionantes apresentações. Impossível não recordar cada mínimo detalhe nesta data presente. Guardanapos desenhados, bolos coloridos, cupcakes delicados.
         A cada nova entrada de palco, a cada diferente palavra pronunciada e lá vinham as lágrimas nos olhos daqueles que assistiam. Era deveras de grande satisfação ver o orgulho nos olhos de nossos professores, sorrindo e aplaudindo seus numerosos alunos.
       Tenho certeza que em cada um, esse dia deixou uma marca. Doce e cativante, se foi nossa espera. Restaram fotografias, memórias e talvez algumas guloseimas, mas estas últimas não durarão muito tempo. Diferente das primeiras, as quais ficarão ou nas estantes do quarto em porta-retratos ou simplesmente naquela estante mais especial que suporta um grande peso, uma estante chamada coração.